A educação ambiental no Brasil possui variadas formas e metodologias, fundamentadas em diferentes pressupostos e tem sido agrupadas como: “educação ambiental popular, crítica, política, comunitária, formal, não formal, para o desenvolvimento sustentável, conservacionista, socioambiental, ao ar livre” os limites entre esses grupos não são muito claros mas tratam-se de reflexos das mais diversas visões de mundo e da crise ambiental.
A educação ambiental crítica possui alguns fundamentos que a identificam. O adjetivo crítico refere-se à associação da educação ambiental com o pensamento crítico, que tem suas raízes nos ideais democráticos e emancipatórios que foram aplicados na educação através da educação popular que tem como um dos fundadores o Paulo Freire. Está educação busca mediar a construção social de conhecimentos a partir da realidade dos sujeitos, buscando a emancipação e a construção de autores da própria história. A educação ambiental acrescenta a isso a necessidade de compreender as relações sociedade-natureza e a intervenção em problemas ambientais. Busca a construção de valores e a ressignificação do cuidado para com a natureza e para com o outro humano, não focando e responsabilizando apenas o indivíduo, mas também sem responsabilizar apenas “um sistema social genérico”. A Educação ambiental crítica busca trabalhar na relação indivíduo-sociedade, pois é nesta relação que ambos são construídos, tem em seu fundamento a compreensão de que a crise socioambiental é fruto de uma visão de mundo antropocentrista sustentada em uma “relação desintegrada entre sociedade e natureza, baseada na exploração da primeira sobre a segunda” (Mauro Guimarães). Portando a transformação necessária é mais complexa e estrutural do que apenas a soma de transformações nos comportamentos individuais.
A sustentabilidade na perspectiva crítica considera as dimensões sociais, éticas, políticas e culturais que atravessam e condicionam o fenômeno ambiental. Portanto a crise socioambiental segundo essa visão é resultado de um sistema econômico e político e não pode ser solucionada apenas através de soluções superficiais (como novas tecnologias) diante de uma questão que é sistêmica. Segundo Guattari uma verdadeira resposta à crise ecológica envolveria uma revolução política, social e cultura reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imaterias.
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