Friday, October 11, 2013

Atividade 3.2 A educação ambiental no Brasil; Os principais aspectos da Educação Ambiental Crítica; A sustentabilidade na perspectiva crítica


A educação ambiental no Brasil possui variadas formas e metodologias, fundamentadas em diferentes pressupostos e tem sido agrupadas como: “educação ambiental popular, crítica, política, comunitária, formal, não formal, para o desenvolvimento sustentável, conservacionista, socioambiental, ao ar livre” os limites entre esses grupos não são muito claros mas tratam-se de reflexos das mais diversas visões de mundo e da crise ambiental.
A educação ambiental crítica possui alguns fundamentos que a identificam. O adjetivo crítico refere-se à associação da educação ambiental com o pensamento crítico, que tem suas raízes nos ideais democráticos e emancipatórios que foram aplicados na educação através da educação popular que tem como um dos fundadores o Paulo Freire. Está educação busca mediar a construção social de conhecimentos a partir da realidade dos sujeitos, buscando a emancipação e a construção de autores da própria história. A educação ambiental acrescenta a isso a necessidade de compreender as relações sociedade-natureza e a intervenção em problemas ambientais. Busca a construção de valores e a ressignificação do cuidado para com a natureza e para com o outro humano, não focando e responsabilizando apenas o indivíduo, mas também sem responsabilizar apenas “um sistema social genérico”. A Educação ambiental crítica busca trabalhar na relação indivíduo-sociedade, pois é nesta relação que ambos são construídos, tem em seu fundamento a compreensão de que a crise socioambiental é fruto de uma visão de mundo antropocentrista sustentada em uma “relação desintegrada entre sociedade e natureza, baseada na exploração da primeira sobre a segunda” (Mauro Guimarães). Portando a transformação necessária é mais complexa e estrutural do que apenas a soma de transformações nos comportamentos individuais.
A sustentabilidade na perspectiva crítica considera as dimensões sociais, éticas, políticas e culturais que atravessam e condicionam o fenômeno ambiental. Portanto a crise socioambiental segundo essa visão é resultado de um sistema econômico e político e não pode ser solucionada apenas através de soluções superficiais (como novas tecnologias) diante de uma questão que é sistêmica. Segundo Guattari uma verdadeira resposta à crise ecológica envolveria uma revolução política, social e cultura reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imaterias.

Saturday, October 5, 2013

Populações tradicionais e Unidades de Conservação

Atividade 2.3 – Tendências Pedagógicas na Educação Ambiental
Populações tradicionais e Unidades de Conservação
                                                                                                                                 Nathalie Wutzki
O Brasil é considerado um país megabiodiverso, o grande território com seus diversos biomas contribuem para que seja o país com maior biodiversidade do planeta, onde mais de 20% do número total de espécies da Terra vivem.  A biodiversidade brasileira não está apenas no número de espécies, mas também podemos falar sobre a grande sociobiodiversidade, as diferentes populações tradicionais (quilombolas, extrativistas, pescadores, agricultores familiares, entre outras), que ao longo de séculos desenvolveram diferentes formas de se relacionar com a natureza.
Existe um grande debate em torna da questão da conservação da biodiversidade e as populações tradicionais que vivem nas Unidades de Conservação. Podemos perceber duas visões diferentes em torno da questão, a primeira considera que essas áreas, por terem uma grande importância devido as espécies raras que ali existem deveriam ser mantidas protegidas da ação humana, que, segundo essa visão sempre possui caráter destrutivo. Para sustentar essa tese os pesquisadores buscam evidências de que as populações tradicionais ao longo da história sempre depredaram a natureza. A segunda visão considera a presença ao longo de centenas de anos dessas populações nesses locais e defende que essas populações protegem a biodiversidade, segundo Arruda “Trata-se de valorizar a identidade, os conhecimentos, as práticas e os direitos de cidadania destas populações, valorizando seu padrão de uso dos recursos naturais”. Segundo essa visão a preservação dessas áreas é compatível com a permanência dessas comunidades e, ao analisar o fato da grande porcentagem de populações presentes nas UC’s, considera que a melhor forma de trabalhar seja incluir essas populações no manejo sustentável da área a partir da gestão compartilhada e de soluções criadas com a participação dessas populações.
Por trás dessas visões encontramos duas concepções diferentes sobre a natureza. A primeira apresenta uma visão naturalista “essa visão “naturalizada” tende a ver a natureza como o mundo da ordem biológica, essencialmente boa, pacificada, equilibrada, estável em suas interações ecossistêmicas, o qual segue vivendo como autônomo e independente da interação com o mundo natural humano. Quando essa interação é focada, a presença humana amiúde aparece como problemática e nefasta para natureza” (Carvalho, 2011). Portanto a melhor forma de conservar a biodiversidade é mantê-la a salvo da ação humana, em uma espécie de aquário/zoológico com acesso restrito apenas para a contemplação e pesquisa. Essa visão é presente na sociedade e já pode ser vista enraizada na concepção das crianças em diversos momentos na sala de aula. Como exemplo posso citar uma aula sobre a extinção das espécies na 6ª série em que uma sugestão foi colocar todas as espécies dentro de uma ilha, ou colocar uma redoma de vidro entorno da Amazônia. As Unidades de Conservação segundo essa proposta alimentam essa visão insustentável da relação homem/natureza. Já a segunda visão considera que “a natureza e os humanos, bem como a sociedade e o ambiente, estabelecem uma relação de mútua interação e copertença, formando um único mundo” (Carvalho 2011). Portanto a construção de planos de manejo com as populações locais, valorizando seus conhecimentos e práticas diante da necessidade da preservação da biodiversidade são uma oportunidade de valorizar outras formas de se relacionar com a natureza e construção de “bons exemplos”. Quem sabe, mais precioso do que a preservação de algumas espécies, seja conciliar isso com a necessidade para essa e as próximas gerações de exemplos positivos que nos ajudem na desconstrução da visão do homem como “câncer” do planeta e na reflexão sobre o seu papel na natureza.

Carvalho, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico – 5ed. – São Paulo: Cortez, 2011.